trans

transforma tudo em pesadelo, em pesar, em lamúrio de limão seco, em lamentações no quartinho.

caminh`entre cervejas artificiais, cafés e caipirinhas de vodka sem gelo em copos de plástico vagabundo.

pessimista congênito, otimista de ocasião, pensandando no que fará quando o sistema monetário deixar de operar em suas entranhas.

a cidade trafega nas artérias.
a cidade grita nele e o habita.
a cidade é linda, mas fedida.

possui

a

cidade

o

possui.

pulso-pulsante,
fluxo-constante.

conversa em choque com o matemático de cabo verde. uma mulher o troca por um bilhete de loteria. o pecado da bahia oferece-lhe o rosto no sul para beijar e desaparece. conhece edicléia mastigando feijão com olhos de sexo. perde a peça polifônica, o tempo, o dia.

mistura caipirinha com cerveja, estímulos de toda desordem, fragmentos tácteis, cisnes

de baudelaire, fumaça com decepção, arroz com feijão, som

e edicléia.

– é duas por 5.

método deste trabalho: montagem literária (Benjamin, 1982:595 apud Canevacci, 1993: 105)

esbarra em pessoas.  pessoas esbarram nele.

observado por poe na multidão encontra-se pouco antes de ser estraçalhado numa via rápida.

quarto infestado de abelhas. café requentado.

rugas horizontais
acima dos olhos.

oxímoros na beira do abismo dos lábios.

uma das abelhas pica seu olho.

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