Partido da Vida

Para quem faltou a aula de história em que o/a Professor/a explicou o que Hitler fez com os judeus e, quando percebendo que perderia a guerra, com todo povo alemão, talvez observar esse gráfico pode ajudar a compreender o que bolsonaro faz com os brasileiros indistintamente.

Em nenhum lugar do mundo, neste momento, morrem mais pessoas por Covid-19. Hoje, 6 de abril de 2021, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o país registrou 4.195 óbitos por Covid-19, o maior número de mortos em apenas um dia desde o início da pandemia.

336.947 brasileiros já morreram no Brasil. Seguindo as instruções de bolsonaro e de suas milícias negacionistas a previsão é que morram mais 180 mil brasileiros nos próximos 60 dias.

Pode ser eu. Pode ser você. Pode ser qualquer um. Para os nazistas alemães assim como para as linhagens nazistas da extrema-direita brasileira isso é indiferente. O importante é a morte, a aniquilação em massa, o retorno do corpo vivo ao inorgânico, a putrefação cadavérica.

Os nazistas cultuam a morte que, em dado momento, será a deles próprios. Isso ficou claro quando Hitler, admitindo que sua política de morte teria um fim e que perderia a guerra, decretou, através de um conhecido telegrama, o perecimento de todo o povo alemão.

Quem está vivo ou viva até agora é um sobrevivente.

Espero que você que lê esse texto sobreviva. Também espero sobreviver a esse horror.
Não tenho dúvidas que está em curso uma política de extermínio no Brasil. O país é o epicentro da pandemia. Novas variantes mais contagiosas proliferam nas aglomerações incentivadas por aquele que deveria dar o bom exemplo. Medicamentos sem eficácia comprovada são receitados e, observem, o número de casos confirmados e de mortes não para de crescer. Em março presenciamos uma multiplicação nas redes de discursos em favor de um tal “tratamento precoce”, baseado em medicamentos para piolho e malária. Resultado: março foi o pior mês desde o início da pandemia no Brasil. É evidente que este tipo de discurso sem fundamentação cientifica faz as pessoas não tomarem os devidos cuidados acreditando numa cura milagrosa caso se infectarem com o Sars_Cov_2.

Se você, por inocência, ou ludibriado(a) por discursos de ódio, votou em um nazista, em alguém que cultua a morte de um povo, é hora de abrir os olhos e lutar pela vida. Exorcize o/a nazista que habita suas ideias.

Nosso partido chama-se VIDA!


Lockdown & luta de classes (1)

Só vai haver um lockdown de verdade no país no dia em que o governo federal em articulação com os governadores e prefeitos compreenderem a necessidade de criação e aprovação de um novo pacote de auxílio emergencial para os micro e pequenos comerciantes e trabalhadores em geral.

No nível das municipalidades, penso ser necessário um projeto de lei que proponha nas ocasiões de grave crise social, como é uma pandemia, descontos nos impostos, nas contas d’água, etc. Estas “ondas” do Minas Consciente, tomando o exemplo de Minas Gerais, são inconscientes da realidade dos trabalhadores e dos pequenos e microempresários do país.

A pauta dos micro e pequenos empresários deve se unir à pauta de todos os trabalhadores e reivindicar um programa robusto de auxílio financeiro, acompanhado de testagem em massa, rastreamento e isolamento de casos e, claro, aceleração do Programa Nacional de Imunização (PNI). Somente assim, o país começará a sair deste abismo sanitário e econômico que políticos irresponsáveis, sem visão e compreensão da complexidade social, estão criando.


:: Carnaval populista ::

Uma das estratégias de dominação cada vez mais perceptível na arena política é o populismo. Através do populismo, políticos se dirigem ao povo como se fossem “do povo”, porém o fazem para obter uma posição de poder e, tendo o alcançado, para se manterem acima da população empobrecida como se estivessem ao seu lado . O populista quer ser “o representante do povo”, “a voz do povo”. Mas o que é “o povo”? Quem é “o povo”?

Para o populista a existência objetiva do povo não importa desde que o chamado ao povo surta um efeito nas massas e produza uma identificação delas com o político. O que importa, em suma, é que um grupo de pessoas se sinta com partícipe desta miragem de povo e dê guarida para as ações do político populista.

A política populista é antes de tudo um “modo” de exercício do poder. Sua característica básica é o contato direto entre as massas urbanas desorganizadas empobrecidas e o líder carismático, facilitado na contemporaneidade pelas redes sociais.

Para ser eleito e se manter no poder, o político populista procura estabelecer um vínculo emocional com o “povo”. Isso implica em um sistema de táticas, discursos que criam um nós e um eles, promessas e ações efetivas para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio através da produção de uma simpatia crescente.

O populista geralmente começa seus discursos com a palavra “povo”. Além deste artifício retórico, alguns populistas, no presente, têm abdicado do famoso terno e usado camisas de time de futebol. Afinal, se alguém usa uma camisa de um time popular é do povo, não é mesmo?

Ao lado das críticas há também considerações positivas do populismo. O cientista político Ernesto Laclau vê no populismo um espaço em que as classes excluídas são convocadas para exercerem o poder do qual foram historicamente alijadas. Para ele, essa prática política representa uma articulação profunda por mudanças institucionais e “teve um papel positivo para a democracia” na América Latina, onde os movimentos de massa têm provocado mudanças políticas, com a ascensão de governos de corte nacional-popular.

Porém, na prática, a inclusão dos excluídos pelos populistas no jogo político nunca é integral. Afinal, os populistas precisam dos precariamente integrados para permanecerem no jogo. Eles, como se costuma dizer, doam as migalhas para permanecerem na mesa da casa grande com direito a um naco da fatia mais nutritiva do pão ou então dizem “chega de migalhas para nosso povo! faremos a nova política”, porém tão logo eleitos dobram-se ao mais velho jogo (que nunca na verdade deixaram de jogar), em que a maioria permanecerá excluída, embora acreditando que finalmente participa do banquete.

Em sua versão de extrema-direita, a política populista tira do povo (que a legitima com seu voto de confiança) direitos trabalhistas e previdenciários conquistados através de lutas históricas, mas utilizando leite condensado torna o arrombamento dos direitos amargamente conquistados muito mais doce.


A representação da política da representação

Na “sociedade do espetáculo”, para relembrarmos o conceito do filósofo Guy Debord, a atividade política é antes de mais nada espetáculo. Incapaz de transformar a realidade, a política torna-se imagem ideal desta transformação que nunca acontece. Parecer é condição suficiente para as redes sociais se movimentarem.

As imagens e os discursos não devem tornar visíveis a decadência que são obrigados a abordar mas apenas, mobilizados através de uma narrativa que vai do moderno ao vaporwave, modulados por dispositivos computacionais de edição, operar uma retórica de progresso abstrato, desenhar um arco-íris de esperança sobre o abismo a fim de convencer as massas silenciadas que amanhã vai ser maior.

A catástrofe ecológica não deve ser percebida em sua magnitude apocalíptica, mas apenas como imagem fantasmagórica veloz a ser esquecida tão logo o próximo assunto for também rapidamente abordado. O problema do desemprego não deve ser problematizado a fundo desde suas causas, mas ao desempregado deve ser dada a esperança retocada pelo photoshop de uma vaga em um local de trabalho que ainda nem concretamente existe (apesar da fila imensa no lá fora não enquadrado).

A gravidade da pandemia do novo coronavírus e os milhares de mortos não devem fazer as pessoas pensarem sobre o risco de infecção nem, muito menos, pensarem sobre a própria morte. A mensagem que circula acima dos 230 mil caixões de brasileiros é que apesar dos cadáveres importam as cores de uma economia (que no final da contas mantém mais de 14 milhões de brasileiros na miséria absoluta).

Porém, por alguma força subsistente do real, algo vaza pelas brechas da estetização espetacular da política: a decadência velada se revela. A verdade é horrível, mas a mentira mais ainda.

Nós sabemos quem vocês são e o que representam.


Se você morrer você não saberá

Já não me assusto com aglomerações, gente com máscara no pescoço ou sem máscara.

Já não me pergunto por que as pessoas não se revoltam e exigem do Estado o controle da pandemia e a garantia, sim econômica, de poderem permanecer seguras em casa enquanto isso não ocorre.

Afasto-me. Viro o rosto. Quem olha demais para o abismo arrisca-se a cair disse um destes filósofos há mais de 100 anos.

Muitas – das mais de 170 mil – mortes poderiam ter sido evitadas; se falAr (falta ar) adiantasse.

Lembro do filósofo, do risco do abismo e afasto-me.

O Estado optou pelo genocídio. Não tenho, ninguém sozinho tem, forças para deter uma máquina que opera em nome da morte que não deve angustiar.

A morte é o “novo normal”. É o morto sob o guarda-sol no Carrefour, é João Alberto espancado até a morte, ou o morto na padaria sob um saco preto enquanto o expresso é servido (para outros mortos?).Uma senhora escreveu: “eles não fazem nada”. Eles não farão nada senhora. Por incrível que pareça (aos que ainda se importam com a vida) a estratégia do governo federal é que o máximo de pessoas se exponha ao contágio viral.

É o que os operadores da necropolítica, da política que administra a morte, da banalidade do mal, chamam de “imunidade de rebanho”.

Ninguém impedirá. Nem polícia, nem lei, nem fiscalização, nem a moral cristã.

A maioria da população faz exatamente o que o governo de extrema-direita ordena e arrisca-se a contaminar-se para adquirir uma pretensa imunidade.

“É só tomar cloroquina que tudo ficará bem”.

O resultado todos sabem: pilhas e mais pilhas de cadáveres e a frase pronta para os que se impressionarem: “não se importe com os mortos, o importante são os curados e estes são maioria”.

Sim, este é um país que perdeu o amor à vida. O que são milhares de mortos? “Pelo menos não é você”.

Há uma voz que diz uma coisa desde o começo e agora mais: “salve-se quem puder”.

1 de Dezembro de 2020: 173.165 mortos e nenhum sinal de que o extermínio retrocederá.

Mais um brasileiro afoga-se em seu próprio pulmão cheio de sangue.

A morte é insípida, inodora, mas tem cor.


sinais desconcertantes

[17/03/2019]: “Brasil confirma primeira morte por coronavírus e vítima é de São Paulo. Trata-se de um porteiro aposentado, de 62 anos.”

[..]

“A morte do porteiro, pode-se dizer, marcou o fim desse período, cheio de sinais desconcertantes, e o início de outro relativamente mais difícil, em que a surpresa dos primeiros tempos se transformou, pouco a pouco, em pânico”. (Camus)


Representação da representação

O problema não é a “democracia representativa” mas a representação ilusória da “democracia representativa” e a crença cega na representação da representação.

Acessamos a aparência de uma democracia produzida por
estratégias de comunicação eleitoral e de marketing.

O Brasil é lindo.

As plantações de soja transgênica e as colheitadeiras da John Deere também.

Símbolos de pujança!

Na televisão.

Falamos de uma aparência democrática como se tratasse da democracia em si.

Alguma vez já tivemos democracia no Brasil? O que é democracia afinal? Democracia palavra vazia? Democracia pura forma sem conteúdo? Não pode ser. Deve haver democracia, mas ainda não a acessamos ou acessamos apenas suas sombras. Medo? Prudência? Covardia? Dependência? Regras do jogo (que tem que ser jogado sempre com o pmdb)?

Resistimos a ver além da aparência e dizemos estar resistindo a um golpe. Não que ele não exista. A aparência da democracia pode ficar sempre pior. O que não pode piorar é a qualidade de vida das classes dominantes.

Golpe(s).

“O brasileiro é um povo humilde, pacífico, trabalhador”, dizem para produzir em nós uma subjetividade interessante à reprodução do capital.

Resistimos para proteger uma aparência. Uma aparência democrática que, sabemos historicamente, é melhor do que qualquer ditadura.

Falam-me de resistência, mas resistir contra o que oprime sem problematizar a democracia aparente que temos (e somos!) e sem visar a realização de uma democracia que exploda os limites da aparência parece-me, sim, uma luta – & digna – mas ainda no campo da aparência, da preservação (interessada?) da aparência democrática que – é verdade – resolve alguns problemas, mas também cria muitos, alguns deles capazes até de fazerem retornar arcaicos problemas que achávamos resolvidos …

Votamos em imagens. Aécio de papelão … Somos golpeados por pessoas. Os golpes são cada vez mais violentos. As imagens sorriem.

Resistir? Ou atacar?

Resistir & atacar &, principalmente, criar! Mas criar não outra imagem da democracia como a que alimenta a representação da representação, mas uma democracia (ainda que representativa) real e viva, democracia que sozinhos não podemos imaginar, mas juntos, & com todas as nossas diferenças, podemos fazer aparecer.


:: Confessionário maquínico :::

Isentão. Governista. Golpista. Quem quer saber? Por que quer saber? Para que? Para controlar?

As sombras do poder deitam-se sobre o saber. O saber torna-se um dispositivo para o poder e os pequenos poderes obterem a confissão.

Quem é você? Qual é a sua identidade? Quais são suas ligações? Quais são suas conexões? Conte-nos sua história de vida.

Ao poder do padre e do psicanalista de obter a confissão somam-se dois novos poderes: o poder do facebook (e máquinas semelhantes) de saber de todos e o poder (policial?) de todos saberem de cada um.

O Facebook, o WhatsApp (e outros mídias sociais) – encarnações comunicacionais do capitalismo – obtêm diariamente nossas confissões. O que compramos? O que desejamos comprar? O que comemos? Com quem comemos? Onde vou? Onde estou? Com quem estou? Em que horário?

A confissão é gratuita. As ações destas empresas estão em alta. Alguém paga por essas confissões.

Ao lado do poder de saber destas multinacionais – que capturam a comunicação humana – o poder [ou o ilusório poder] de sabermos sobre o outro, o amigo, o vizinho, o colega de trabalho, o isentão, o fascista, o governista.

Tornamo-nos todos padres. Padres dos movimentos. Padres dos partidos. Padres de instituições em que – por um lugar ao sol – aceitamos a condição de sombrios burocratas, prontos para atacar qualquer sinal – mesmo ilusório – de ameaça.

Não seria o caso de nos perguntarmos se essa produção, reprodução, reforço e fixação identitária a que nos submete estas pequenas máquinas da engrenagem da máquina capitalista não estaria produzindo também um campo obscuro em que o outro, o que difere minimamente, torna-se potencialmente alguém que devemos desconfiar e, mais gravemente, um inimigo a ser isolado e até mesmo abatido?

Ou ‘Ser ‪#‎hashtag‬ aqui’ – facilmente mapeáveis e significáveis – é tudo o que somos [para os que desejam poder_saber quem somos?]


:::: & Hegel & Marx & Engels & seus filhos monstruosos & :::

O promotor do MP-SP que juntou Marx & Hegel para justificar prisão preventiva de Lula provavelmente é um mau filósofo [goo.gl/AJpjAl]. Pelo menos isto é consenso entre coxinhas, governistas e terceira via. Mas, tem algo que ninguém aventou. Pode ser que o dito cujo não estava falando, mas sendo falado por forças muito mais potentes do que sua consciência ressentida, forças históricas que falaram através dele para nos dizerem um caminho nestes dias – aparentemente – sem caminho: um caminho onde juntar Marx & Hegel pode fazer sentido revolucionário.

“Aufheben”, conforme Hegel, é suprimir conservando. O velho Hegel retorna e nos possibilita pensar na série de desafios históricos colocados para nossa geração: suprimir todos os retrocessos desde a redemocratização do país (bem como aqueles herdados da ditadura), conservar todas as conquistas alcançadas nas últimas décadas e ainda instaurar novas!

Como abrirmos o país para um novo tempo de conquistas sem a necessidade de abrirmos mão das conquistas obtidas (e reconhecidas por muitos mais brasileiros e brasileiras (54,5 milhões, certo?) que nossos herméticos grupelhos podem conceber)? Conquistas que, diga-se, não vieram de mão beijada afinal, sabemos bem: não há santos na política real.

A “elevação” da democracia a outro patamar não é mera abstração da consciência, nem transcendência. Ela é absolutamente concreta como podemos entender lendo o “Manifesto ‪#‎PeriferiasContraOGolpe‬” [goo.gl/it3lUn]. “Nós, que conquistamos só uma parte do que sonhamos e temos direito, não admitimos retrocesso. […] Reivindicamos a desmilitarização das polícias, da política e da vida social. Reivindicamos o avanço das políticas públicas, dos direitos civis e sociais”.

Que fique claro: quando falamos em preservar o que foi conquistado não falamos em preservar partidos golpistas (e/ou decadentes) nem em blindar determinados políticos (ou imagens), não somos tão apaixonados assim por estruturas de poder enrijecidas ou por identidades fixas. Falamos em conquistas concretas da sociedade brasileira com e apesar de todas as suas contradições históricas que neste momento saltam aos olhos dos seus observadores passivos, mas que nunca deixaram de estar aí (as letras dos Racionais MCs e Facção Central nos dão uma perspectiva disso).

A supressão dos retrocessos, a preservação das conquistas efetivas, a efetivação de direitos dormentes, e a possibilidade de novos avanços, entendo, só é possível num ambiente radicalmente democrático.

A preservação da democracia (não da democracia burguesa ou derivações, mas da ‘Democracia’ [aquela que custou e custa muito sangue e dor dos movimentos progressistas]) é o plano de imanência para sua radicalização, para uma democracia de alta intensidade.

Se com a potência desejante de parcelas significativas da sociedade brasileira (que reconhece, sem abrir mão da crítica, a substancialidade dos avanços nos últimos anos e não está disposta a ceder aos discursos retrógrados) conseguirmos produzir uma histórica mobilização ‪#‎PorMaisDemocracia‬ e, por essa via forçar o sistema político e midiático a sintonizarem definitivamente os agenciamentos de corpos e de enunciação das ruas na direção desse desejo talvez seja possível abolir de uma vez por todas o joguete político_partidário_judicial_midiático – que está reprimindo as energias vitais e revolucionárias do povo brasileiro de tal maneira torpe que essas energias estão se chocando violentamente. Precisamos canalizar essas energias numa mobilização radicalmente democrática (imagino mais de 50 milhões de brasileiros nas ruas!) para, a um só tempo, fazer recuar o delírio golpista (que pensa ser maior do que é) e recolocar o Estado brasileiro na órbita da democracia. Somente assim, restabelecendo a normalidade democrática o que demandará, como se vê, uma mobilização efetiva de forças capazes de fazer frente às forças golpistas sem, contudo, ferir mortalmente a democracia sequestrada pela sanha golpista e o próprio Estado, preservando a função deste de produzir/ampliar (etc) direitos que o Capital, por óbvio, jamais gerará. Visão: o Estado como “máquina de guerra” ao Brasil que encarcera massivamente pobres e negros [https://goo.gl/whUXJU], que exclui e não inclui como pode incluir, que não compreende a riqueza das diferenças, que se abre aos interesses particulares do capital e se fecha aos interesses da ampla maioria dos seus representados. Realmente, e não apenas publicitariamente: a sociedade contra o Estado dentro do Estado…

Pensar taticamente possuindo no horizonte uma estratégia clara permite perceber que – na atual conjuntura – pensar Hegel ao lado de Marx não é tão absurdo assim, muito embora – é óbvio e ululante – a situação que ensejou esta possibilidade seja absurda. Mas importa aqui o que ela nos deu a pensar: contra ela mesma e à favor daquilo que ela era (e, de certo, é ainda) contra: uma democratização radical das instituições do Estado conjuntamente à (re-)abertura do estado às forças progressistas da sociedade.

Um detalhe: o tal promotor de injustiça disse “Marx & Hegel”. Nós propomos uma inversão: Hegel & Marx, simples sutileza, mas que nos possibilita recolocar Engels ao lado de Marx (Hegel & Marx & Engels). Além disso, podemos adicionar a esta caixa de ferramentas [que deverá servir para (re-)abrir a máquina estatal e fazê-la produzir mais e mais democracia] outros pensadores e pensadoras que nos auxiliem nesta tarefa histórica da qual não podemos nos desviar por vaidade intelectual, ressentimento, esperança ou medo, etc. Façamos então um filho monstruoso em Hegel…

E se chegar o momento do próprio Estado ser suprimido por que não fazê-lo? Todavia, pelo menos por enquanto, como nos faz compreender um pensador brasileiro: no Brasil o Estado é um mal necessário…

“A ideia de uma abolição do estado nas presentes condições é fantasia. Existem algumas contradições que não podemos evitar. Por exemplo, o maior inimigo dos índios brasileiros, num certo plano, é o Estado, que representa uma sociedade que os invadiu, exterminou, escravizou, expropriou de suas terras. Ao mesmo tempo, o Estado brasileiro é a única proteção que os índios têm contra a sociedade brasileira. Se não fosse o estado, os fazendeiros já teriam aniquilado todos os índios” (https://goo.gl/LkdRTr).

‪#‎DemocraciaRadical‬ ‪#‎PeriferiaContraOGolpe‬


O Brasil da Janela

Penso no Brasil enquanto vejo “Da Janela do Meu Quarto” [Cao Guimarães, 2004], vermelho & azul em combate, um avança, outro retrocede, um cai, outro também, às vezes azul parece mais forte, de repente vermelho revela sua potência, azul faz pose de mais experiente, vermelho incansável, a chuva cai impassível, lama, vida, um assovio fantasmático cósmico, mais lama, trovoadas, vidas; há um terceiro, de calção escuro [será um verde? um anarquista? a terceira via?] que não entra efetivamente na luta, espera, chuta o ar; vermelho & azul continuam a lutar & a chuva a cair, trovões, não, não posso comparar esses corpos inocentes com as terríveis disputas do presente, já perdemos a sutileza & a plasticidade dos golpes que não ferem, resta-nos a crueldade, um amargor, uma possibilidade de derrocada geral e uma queda solitária, resta também imaginar que nossas crianças se pareçam com aquelas que fomos [nós em antigos presentes], na chuva, na lama, de vermelho, de azul, de verde, de preto, quando o desejo era viver [sem saber que vivíamos], espontaneamente vivos então, quando o desejo era já a próxima aventura que emergia do interior da aventura que construíamos juntos, é tarde, primeiro desencantamos os mitos, depois matamos deus, é muito tarde, ajoelhamos perante o capital, é absolutamente tarde, sim, é verdade, admitamos: perdemos a inocência para sempre e estamos a perder a política, resta-nos ver o temporal da janela, resta-nos a lama já sem aquelas crianças que um dia fomos nós, resta-nos utópicos assombrados pelo ceticismo acreditar que as crianças do agora não sejam como nós agora somos, que encontrem outros devires, que tracem outras linhas de fuga, linhas multicoloridas, se vermelhas, azuis, amarelas, verdes, pretas, rosas ou violetas, não importa, importa saber lutar sem machucar, importa saber cair e se levantar, mas também saber fazer cair sem destruir, importa conectar as forças ativas & elevá-las à enésima potência & compartilhar invenções & cultivar bons encontros & paixões alegres & se abrir radicalmente à diferença & tentar, ao máximo, não mais afirmar – por birra – eternamente uma coisa só &/ou negar todas as coisas em nome desta coisa só, importa uma verdadeira política dos corpos singulares como é a grande política que aquelas crianças duplamente devêm, importa um “acordo discordante”, uma renovada beleza onde menos se espera, uma “nova suavidade” sem ponto nem final