Não-comunicação

A opinião pública – se há a possibilidade de uma – na era dos debates no quadrado privado burguês – é uma opinião (de-)formada sobre tudo; uma das causas disso é a impossibilidade – dada a urgência de ter a opinião publicada curtida, apoiada, aplaudida pelos pares – de se pensar profundamente sobre o que se está opinando. Jürgen é platônico demais, e o pensamento se perde tentando encontrar a saída na caverna cada vez mais escura da possibilidade de comunicação. Talvez Gilles esteja certo, “talvez a palavra, a comunicação, esteja podre”. É provável, até mesmo, que não seja por moda que o filósofo da diferença seja, por exemplo, o autor mais citado nos trabalhos apresentados na “Compós”. “Elas estão completamente impregnadas de dinheiro: não por acidente, mas por natureza. É necessário subverter a palavra. Criar sempre foi coisa diferente de comunicar. Importará, talvez, criar vacúolos de não-comunicação, interruptores, para escapar ao controle”.

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