O quadro-negro da história

Capsula de bala de borracha utiliza pela tropa de choque contra os servidores públicos durante a ocupação da ALEP.
A disputa entre os servidores públicos e o governo do Paraná é também uma disputa ferrenha pelos significados da mobilização, o que passa pela forma como os fatos são enquadrados por discursos, comentários, textos jornalísticos e imagens.

Dizendo que precisava “SANEAR AS FINANÇAS” do estado, o governador Beto Richa (PSDB) produziu, na interpretação dos servidores, um “PACOTES DE MALDADES”: o “PACOTAÇO”.

O “PACOTAÇO” do governador inclui medidas contra direitos históricos dos/das servidores/servidoras.

Reagindo ao “PACOTAÇO” os servidores declararam “GREVE GERAL!”

Logo as redes disparavam os signos da greve: ‪#‎eutonaluta‬, ‪#‎eutonagreve‬, ‪#‎vempragreve‬, ‪#‎vempraAlep‬, ‪#‎vemprarua‬, ‪#‎forabetoricha‬, ‪#‎RichaCaloteiro‬.

Nas ruas estes signos da “LUTA” podiam ser reconhecidos nos adesivos, nas camisetas, nas palavras de ordem.

Redes e ruas compunham uma outra rede e abriam ruas no território fechado da política institucionalizada. A mobilização crescia. Ainda assim, na Assembleia Legislativa, o “PACOTAÇO” transformou-se em “TRATORAÇO” (“Comissão Geral”) a ser passado pelos deputados estaduais da base de Richa sobre os direitos de milhares de trabalhadores.

No dia 10 de fevereiro, os servidores (professores/as em sua maioria), com apoio de ativistas de movimentos, militantes de partidos políticos e cidadãos comuns, “OCUPARAM” a Assembleia Legislativa do Paraná, adiando o “TRATORAÇO”.

Na internet, palavras e expressões como “DESGOVERNO” e “BETO QUER RIXA CONTRA OS TRABALHADORES” acompanhavam os comentários de servidores e apoiadores sobre a “OCUPAÇÃO”.

A mídia hegemônica e a assessoria da ALEP disseram que a “OCUPAÇÃO” foi uma “INVASÃO”.

12 de fevereiro, 34 quatro graus, os deputados chegam de camburão na Assembleia para votar o “PACOTAÇO”. A tropa de choque não economiza spray de pimenta para afastar quem questiona o aparato repressivo.

Policiais cortam uma grade para que os políticos entrem na “CASA DO POVO”. Uma nova “OCUPAÇÃO” acontece apesar das bombas de efeito moral, do gás lacrimogêneo e dos cães raivosos.

Para os manifestantes um “DIA HISTÓRICO” em que conseguiram impedir – ao menos temporariamente – a votação do “PACOTAÇO”. Para Richa, entrevistado por três canais de televisão, uma ação de “baderneiros” e “infiltrados”.

Alguns segundos depois das declarações do governador, nas mídias sociais eram postadas construções como “JE SUIS BADERNEIRO” (um reenquadramento do “Je Suis Charlie” francês), “Baderneiros, não! Somos guerreiros e guerreiras. Não nos escondemos em camburões, mandamos projetos na surdina ou tentamos destruir carreiras. Lutamos pelos direitos que o seu governo não respeita!”.

Sexta-feira 13. Quase Carnaval no Brasil. A greve continua. Quais enquadramentos serão escritos e quais prevalecerão no quadro-negro destes dias históricos no Paraná?

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