Beira-mar

Se fôssemos bons em política como somos em memes estaríamos feitos, mas nos jardins os urubus continuam a passear a tarde inteira entre os girassóis. “Aqui é o fim do mundo. A bomba explode lá fora. E agora, o que vou temer Oh, yes, nós temos banana até pra dar e vender”. “Veja que beleza em diversas cores, veja que beleza em vários sabores a burrice está na mesa”. “O Glauber chorava as crianças com fome”. “Uma criança sorridente, feia e morta estende a mão”. “O Glauber chorava esse país que não deu certo. “Não chegaremos a uma civilização pela harmonia universal dos infernos”. O Glauber chorava a brutalidade. “Soldados e otários do Brasil. O que é o Brasil? O que é o brasileiro? Na mansão dos Aranha alguém grita de fome”. “Quem vai querer comprar banana? Quem vai querer comprar a lama? Quem vai querer comprar a grana?”. “O Glauber chorava a estupidez, a mediocridade”. “Aranha, alto financista, banqueiro, político e testa-de-ferro internacional, do coração da favela para o resto do Brasil”. “No meio da esperteza internacional a cidade até que não está tão mal. E a situação sempre mais ou menos: sempre uns com mais e outros com menos”. Chega de lights e all rights, good nights e faufaits isso não dá mais pra mim”. “Aqui é Capão Redondo “tru” não Pokemon”. E “a cidade não pára, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce”. “O Terceiro Mundo vai explodir” no “dia em que o morro descer e não for carnaval”. “Quem tiver de sapato não sobra, não pode sobrar!”. Beira-mar …

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Impasse

Trabalhar as bases sem, simultaneamente, alterar as condições do topo é rolar eternamente como Sísifo uma pedra até o cume da montanha e, pior ainda, ser esmagado por esta mesma pedra assim que ela começar a rolar montanha abaixo.


“Viola, forria, amor, dinheiro não”

O capitalismo não produz apenas o celular, a roupa de marca, o automóvel do ano, mas também o consumidor para o o celular, para a roupa de marca e para o automóvel do ano. Naturalmente, o desejo é produtivo, capaz de criar & inventar. Todavia, quando capturado pelo capital o desejo passa a sentir falta e ele precisa ser satisfeito. Então ao invés de criar, por exemplo, um mundo melhor, passa-se a acreditar que a felicidade é o último celular, a máquina fotográfica tal, o relógio y, o tênis x, a cerveja importada z.

A ação prática para um mundo/vida/cidade melhor é deixada de lado. E o sonho torna-se um produto qualquer. Por isso, é tão comum as pessoas dizerem: “meu sonho é ter/comprar um/uma________________ (preencha com um produto qualquer). O capitalismo produz os produtos e os consumidores para estes produtos. Somos 24h assediados pela máquina publicitária com suas imagens ilusórias, com seus futuros abstratos. Deixar de ser mais um consumidor do mundo e tornar-se um produtor(a) aqui e agora de um novo mundo é um desafio e tanto que dinheiro nenhum pode comprar.


Gil Scott-Heron (*1 de abril de 1949 + 27 de maio de 2011)