A música de invenção do UAKTI em Curitiba

Chego em casa e encontro o “ROTEIRO MUSICAL – “UAKTI” no bolso da jaqueta.

“Então não foi um sonho? “

Tento recuperar algum fragmento que me ligue à folha …

Abertura 21, Templo Grego, Arrumação, Bachiana N5, Trenzinho do Caipira, O ovo da Serpente …

Lembro-me que às 19h10 entrei na Capela Santa Maria e que havia muita gente lá: senhoras, crianças pulando, homens sérios, garotas maquiadas.

– Os ingressos já acabaram, diz o segurança.
– Que horas são?
– Sete e dez.
– Em dez minutos?
– É! Também me surpreendi.

“É o Uakti”, pensei.

– Mas aguarde um pouco. Pode ser que alguém não venha. Foram distribuídos ingressos também para os patrocinadores e …

19h55. O segurança me chama e dá-me (sim! de graça) um ingresso para um devir sonho coletivo guiado pelo grupo mineiro UAKTI a partir de instrumentos musicais até então inimagináveis tornados reais ou surreais ou sul reais por Marco Antônio Guimarães e experimentados pelos músicos Paulo Sérgio dos Santos, Artur Andrés Ribeiro e Décio de Souza.

Tudo é musical. Tubos de PVC, vidros, metais, pedras, borracha, cabaças, água, corpo, espaços e silêncio. Música de invenção!

“Impressão”, “acústica deste lugar”. “Marco Antônio”, “Paulo Sérgio” … “E meu nome é Artur”

Artur de calças verdes gira e encanta o universo com sua flauta mágica, faz vibrar o ar e delirar o jovem músico que assiste tudo boquiaberto lá do mezanino, Paulo elétrico aciona botões, toca bateria, faz jazz com canos PVC e gira a manivela do impossível e faz o senhor de terno sério sorrir impressionado, Décio percussivo alegre faz do violão um violino e a morena brilha os olhos.

Curitiba em transe aplaude até queimar as mãos.

Não foi um sonho, mas foi como se fosse. UAKTI!

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go skate day ou o skate é foda

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