Cidade industrial

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Em Curitiba, enquanto na Zona De Exclusão da FIFA tudo está pronto para a World Cup 2014 (“Falta só tirar o pó”, informa o jornal) em diversos territórios da Zona Excluída pela FIFA & pelo poder público, a chuva (que não é um problema em si) faz emergir problemas em forma de tragédias que poderiam ter sido evitadas justamente se a vida nestes territórios não fosse deixada à míngua enquanto outros interesses industriais & políticos eram escutados & potencializados. Ao fim & ao cabo, a culpa será atribuída à natureza (mas não é ela que polui o Rio Barigui, por ex!) & políticos & marqueteiros dormirão & acordarão tranquilos em suas moradas luxuosas. Quando for tempo de pedir votos pedirão sorridentes, trajando azul, & apresentarão, “biopoderosos” que são, projetos mirabolantes capazes até de evitarem certas catástrofes (que não são tão naturais assim) cujas causas – não imaginam (?) – estão associadas às suas próprias práticas “políticas” bem como à inexistência de uma outra política que não se sabe se foi perdida, se nunca existiu ou se existirá.

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“Essa imagem é perto da minha casa, no CIC… Antes era muito difícil de alagar aí no Rio Barigüi. No ano passado deu uma enchente dessas e agora de volta, a frequência está aumentando e em 23 anos que conheço essa região nunca senti esse rio feder tanto composto químico, tá foda” – Mensagem de A.V. –

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Há uma “Zona de Exclusão da FIFA” & uma “Zona Excluída pela FIFA” que é toda cidade, ou seja, a Copa do Mundo nunca pode ser uma Copa para todo mundo. Ou ainda, a Copa do Mundo é uma metáfora do próprio Mundo que é de todo mundo, mas não para todo mundo.

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“Uma cidade chamada industrial: Curitiba é ecológica, CIC é infernal”

 

 

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Dil(e)ma

Suspeito – todavia não como Nuno Ramos – que há uma classe-média em processo de empobrecimento que não é essa que tem preconceito contra pessoas de bermuda no aeroporto, nem com rolezinhos de jovens nos shoppings, nem é a que está dizendo que não vai ter copa.

No interior desta classe-média estão pessoas jovens – & não tão jovens assim – que, mesmo na era do “pleno emprego”, estão com dificuldade de encontrar seu espaço, restando-lhes – em muitos casos – empregos precários, temporários, sem carteira-assinada.

O próprio Lula reconheceu em sua entrevista à Carta Capital que “nós temos um setor médio da sociedade, que ficou esmagado entre as conquistas sociais da parte mais pobre da população e os ricos, que ganharam dinheiro também”.

Estes setores da classe-média empobrecida navegam & agem nas redes, leem, são politizados & próximos ou simpatizantes de movimentos de base, portanto, tendem mais à esquerda do que à direita, mas estão perdendo as esperanças no projeto petista – embora reconheçam a importância histórica dele – justamente por estarem excluídos no momento em que ele se apresenta como vitorioso.

É como aquela festa que todos seus amigos foram convidados menos você.

Ao invés de apontar que novas vitórias são possíveis, o partido abre as portas para os fantasmas do passado que acabam por assombrar os horizontes do possível.

O planeta melancolia aproxima-se de Pindorama?

Discursos de fim de mundo são alçados à categoria de verdades incontestáveis na ausência de discursos capazes de rasgar o véu da realidade e atualizar um outro mundo que deseja-se diferente dos mundos pretéritos & do mundo presente.

Discursos de que estamos todos fodidos escritos pela classe-média que não empobreceu são lidos com pesar pelas classe-média que não empobreceu.

Negando Neves & Campos, & questionando os limites do desenvolvimentismo corrente, o “precariado” encontra-se espremido entre propagandas & discursos militantes que lhes garante que este é o melhor dos brasis & a sua própria realidade que não se enxerga nele. Loucura? Inadequação? Nada disso. O reformismo fraco não os incluiu & não sinaliza que o fará tão cedo. Como consequência o flerte com outras posições de esquerda mais radicais é inevitável.

Ainda não é possível dizer se são muitas as pessoas nessa condição, mas elas existem & resistem.