Cartografias

Quando eu vejo uma pessoa… Ela pra mim… eu já mapeio. Ela pra mim é uma cartografia livre, eu já me lembro de outras pessoas, do passado, do presente.  (Waly Salomão in: Doc. Trovoada. 1995)

“”As perguntas que inquietam o cartografo neste inicio de século são: De um lado:
– Como e onde se opera o estrangulamento vital que nos aprisiona no intolerável e nos asfixia?
– Como nossa subjetividade é capturada pela fé na religião capitalista?
– Como nossa força de criação é drenada pelo mercado?
E nosso desejo, nossos afetos , nosso erotismo, nosso tempo?

De outro lado:
– Como liberar a vida desses seus novos impasses?
– Como e onde se está escapando de uma ideia de resistência ainda marcada pelas lógicas identitária e dialética que regiam tanto o regime fordista quanto seu contraponto comunista ?
– Que modos de resistência estão sendo experimentados neste mundo flexível de pós-fordismo e sua lógica rizomática?
– Que políticas de subjetivação estão sendo inventadas pelos movimentos de criação individuais e coletivos através das quais a vida se liberta de sua cafetinagem ?
– O que terá levado, em cada caso, ao rompimento da crença no paraíso?
– Que outros possíveis se anunciam?

Como concretizá-los?’  – Suely Rolnik – Cartografia Sentimental –

“Para os geógrafos, a cartografia – diferentemente do mapa, representação de um todo estático – é um desenho que acompanha e se faz ao mesmo tempo que os movimentos de transformação da paisagem. Paisagens psicossociais também são cartografáveis. A cartografia, nesse caso, acompanha e se faz ao mesmo tempo que o desmanchamento de certos mundos – sua perda de sentido – e a formação de outros: mundos que se criam para expressar afetos contemporâneos, em relação aos quais os universos vigentes tornaram-se obsoletos. Sendo tarefa do cartógrafo dar língua para afetos que pedem passagem, dele se espera basicamente que esteja mergulhado nas intensidades de seu tempo e que, atento às linguagens que encontra, devore as que lhe parecerem elementos possíveis para a composição das cartografias que se fazem necessárias. O cartógrafo é antes de tudo um antropófago” (Suely Rolnik)