::: Planeta Lamma :::

De quantos fins de mundo precisamos para dizer que estamos dentro do fim do mundo?

A tragédia em Mariana não é só a tragédia em Mariana.

A lama se espalha por outras cidades, a lama invade rios, pastagens, cobre casas, engole vidas.

“Da lama ao caos / do caos a lama” deu a letra Chico Science.

A destruição avança.

A tragédia em Mariana não é só a tragédia em Mariana. É a minha tragédia, a sua tragédia, a tragédia de todas as plantas, animais e minerais. De Minas, mas também do Brasil.

A tragédia em Mariana é um prenúncio de como será o fim? Não sei, embora tenha certeza que a tragédia em Mariana é um prenúncio de um mundo que precisa acabar. Qual mundo? O mundo da exploração predatória da natureza, o mundo imundo do homem branco ocidental.

& este mundo criado a imagem e semelhança do homem pelo próprio homem tem cheiro de morte.

Se este mundo a cada dia menos habitável não acabar é eminente o risco de não termos o mundo que queremos já, na imanência, habitar com saúde, amor, afeto, alegria.

& enquanto não destruímos o mundo da destruição esse mundo nos destrói: com sua lama fétida, com sua poluição, com sua exploração do trabalho.

Se a destruição que assistimos aterrorizados, cuja causa determinante é sim a exploração da natureza até o seu completo esgotamento, não servir para repensarmos nosso habitar neste mundo e afirmar a vida em sua plenitude, afastando a morte que parece ser o impulso dominante do homens do nosso tempo, é provável que uma das imagens do fim do mundo como conhecemos esteja metaforicamente contida naquela lama que move-se como um rio portador de destruição.

Não é só Mariana que está atolada na lama: é o Planeta Terra; Ou já habitamos o Planeta Lamma de que nos fala Damião Experiença e apenas não sabíamos?