::: Educação para a Democracia e para a Vida :::

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A decisão de retorno às aulas deve ser técnica seja quem for o/os/a/as responsável/eis. Não é falando das posturas de A ou B a saída. Pandemia não é, a princípio, uma questão de ordem pessoal nem de grupos políticos, mas de SAÚDE PÚBLICA universal. Assim, os critérios que devem balizar qualquer deliberação e tomada de decisão referente a discussão sobre a volta presencial (mesmo híbrida) às salas de aula devem orbitar questões como: números de novos casos, número de óbitos, risco de contágio em ambiente fechados ou com baixa circulação de ar, experiências em outros estados, disponibilidade de vacina, etc.
1.1
Se ainda há transmissão comunitária em curso, risco de infecção, casos em que profissionais da educação se contaminaram em outros estados em que as aulas retornaram no modelo presencial/híbrido, tudo isso têm que ser exposto à comunidade escolar com muita transparência e tecnicidade.
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Se tem pai de aluno indo à praia ou à balada a responsabilidade, ou melhor, a falta de responsabilidade é de quem age assim. Usar desse artificio retórico para tentar forçar um retorno apressado às aulas já que em tese “todo mundo relaxou” é revelador de um desprezo mal disfarçado à ampla maioria de professores e aos demais funcionários da educação que estão levando a sério as medidas de distanciamento e isolamento, e cumprindo da melhor forma possível suas funções pedagógicas. Ora, por que os professores e funcionários têm agora que pagar por atitudes irracionais de grupos de negacionistas da pandemia? Educação começa em casa, não se esqueçam.
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Muitos cobram dos professores e demais funcionários para voltarem às salas e demais espaços escolares, mas quase ninguém cobra “vacinação já” para todos os brasileiros. Estranho não?3.1″Ah! Mas não dá para vacinar todo mundo do nada”, alguém logo dirá. Sim, não dá, mas daria, pelo menos de uma maneira muito mais eficaz do que o atual PNI em curso, se houvesse, por parte do estado brasileiro, planejamento e negociação antecipada com governos e laboratórios. Não faz sentido resolver um problema (vacina em número insuficiente) criando outro (trabalhadores sem vacina expostos ao risco de contágio pelo Sars_Cov_2 por horas a fio em ambientes fechados).
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As frases mais usadas pelos defensores da “volta às salas de aula” são todas de ordem impessoal: “as escolas precisam funcionar”, “as aulas precisam voltar imediatamente”, “os pais de alunos estão indo à praias e baladas”, “os protocolos serão todos cumpridos”. Tais discursos revelam da parte de seus enunciadores uma postura de invisibilização e desconsideração dos profissionais e demais funcionários da educação, percebidos como seres anônimos e fantasmáticos, que têm a obrigação automática, em um contexto pandêmico gravíssimo e de inexistência de vacinação em massa, de receberem centenas de alunos todos os dias, vindos dos mais diversos lugares da cidade e de famílias com diferentes hábitos e condições socioeconômicas.
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Os professores e demais profissionais da educação jamais se negaram e não se negam ao trabalho e, num contexto de uma pandemia de um vírus altamente contagioso e mortal, precisam ser, como todos os trabalhadores deveriam ser, considerados, antes de mais nada, em sua dignidade humana e não obrigados – por decreto ou outro dispositivo – a retornar ao trabalho em salas muitas vezes abafadas, sem ventilação adequada, para não dizer insalubres.
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Usar para justificar o retorno das aulas o argumento da exposição de determinados grupos de trabalhadores ao vírus e ao contágio é revelador do menosprezo de certas parcelas da sociedade por todos os trabalhadores. Não faz sentido, a não ser por vingança, defender que mais um grupo de trabalhadores deva se arriscar a contaminar quando, na verdade, os trabalhadores deveriam todos ter garantida a vacina.
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Se o horripilante “novo normal” da humanidade implica expor o outro ao risco de morte, se a política tornou-se, como diz o filósofo Mbembe, “necropolítica”, isto é, mera gestão da morte, então é preciso se perguntar sobre que humanidade estamos nos tornando em que o valor abstrato do dinheiro se sobrepõe ao valor concreto e sagrado da Vida.
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A pandemia do novo coronavírus é uma questão de saúde pública e no caso da Covid-19 o único tratamento 100% eficaz chama-se vacina. Então temos todos que nos unir, democraticamente, em uma única voz: #VacinaJá para TODA população e pelo #SUS.


Economia primeiro. Saúde depois?

As redes sociais hoje operam como vitrines para a exibição de modelos humanos. A máquina capitalista adentrou o espaço da intimidade. Tudo deve ser exposto, todos devem se tornar influencers, todos devem ditar modas, hábitos de consumo. Nesta nova configuração do capitalismo consumir não basta, é preciso que o consumidor faça a propaganda do seu consumo atraindo para si o olhar de potenciais consumidores. Casas, carros, motos, roupas, bicicletas, sapatos, cervejas, cafés, passeios, bebidas, relógios, animais, livros, cargos, diplomas, parceiros, filhos, boletins, contratos, tudo, sem exceção, deve ser mostrado. Até o reflexo no espelho na academia deve ser reproduzido na tela. O sucesso se mede pela capacidade de consumir. Se você consome você é alguém. Se você não consome não existe, é um fantasma na sociedade de consumo total. Imaginem como isso é problemático numa sociedade de 16 milhões de desempregados e mais de 30 milhões de miseráveis vivendo com menos de dois reais por dia? Imaginem os traumas em adolescentes que não podem reproduzir padrões existenciais e de consumo impostos pelo mercado!Já o tempo de trabalho, as horas infinitas no trânsito, na loja, na fábrica, as dificuldades, os assédios morais, os direitos previdenciários e trabalhistas destruídos tudo isso deve ser ocultado. Vale mais a performance artificial de si em rede social do que o desmascaramento das estruturas de exploração da mão de obra e espoliação do trabalhador. Vale mais defender um mito idiota, ou assistir ao BBB, do que pensar na destruição total em curso no país que caminha, claramente, para uma guerra civil. Ou você acha que um decreto que libera até a produção caseira de munição é para ir para a disney? Antigamente diziam: “o importante é ter saúde”, “sem saúde não somos nada”. Agora, o importante é a economia, mas não uma economia em que os recursos existentes beneficiam a todos igualmente, e sim uma economia para uma minoria que faz a maioria brigar até a morte por migalhas. Nesta economia parasitária se você não tem mais saúde é logo descartado como os mais de 240 mil mortos na pandemia (e sabe se lá quantos mais até que toda população esteja imunizada). Quem se importa? E se for você o morto ou a morta as máquinas continuarão a girar exatamente como estão girando agora. Eles já têm até a frase pronta para fingirem que a sociedade brasileira não está sendo trucidada por um genocida que não trouxe a vacina para todos e em tempo hábil antes de novas e mais perigosas mutações: “é o novo normal”. No antropoceno, tempo em que o humano se torna a maior ameaça para o Planeta Terra, a própria humanidade é capitalizável. Você deve render ao máximo como uma aplicação financeira. O humano tornou-se “capital humano” e o trabalhador – sem direitos – “empreendedor”. Índios? Natureza? Ecologia? Alimentos sem pesticidas cancerígenos? Vacina para todos? Aquecimento global? Poluição? Derretimento das geleiras? Perda de biodiversidade? Pandemias? Racismo? Homofobia? Democracia? Tudo isso é coisa de vagabundo, de esquerdista, dirão os nazistas sobre as pilhas de mortos que não param de aumentar. A felicidade é um imperativo. Você precisa estar sempre sorrindo, sempre de bem com a vida. Apenas os fracos adoecem. Se você não venceu é porque é um perdedor. Se você está deprimido é “mimimi”. Na era fitness estar acima do peso é um crime. Na era em que todos querem ser os burgueses felizes da propaganda de refrigerante diet a tristeza é uma aberração. Pare de reclamar e trabalhe, ordenam os filhotes de Hitler. Mal sabem eles que a frase “Arbeit macht frei” (“o trabalho liberta”) era colocada nas entradas dos campos de extermínio do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Na era em que a extrema-direita institui a barbárie reivindicar direitos é um crime. Os trabalhadores devem aceitar as piores condições, pois, a burguesia cínica dirá: “se você não quer tem uma fila de miseráveis lá fora”. O importante é que, apesar da crise total da humanidade, você encene a fama, ainda que dure 5 minutos, isso se você não for cancelado antes por turbas digitais fascistas que sempre terão a última palavra sobre sua vida até elegerem uma outra pessoa para destruírem amanhã. Mas não se esqueça: o cancelador de ontem pode ser tornar o cancelado hoje. Neste tempo de subjetividade colonizada pelo capital, os laços de solidariedade, colaboração e coletividade são rompidos. A competição adentra todos os espaços: no trabalho, na escola, na empresa, na academia e até no mundo das artes. Todos estão em competição, e não apenas com o outro mas consigo próprios. O indivíduo torna-se seu próprio algoz. Deve sempre se superar, ir além de seus próprios limites. O céu é o limite. Elon Musk é o homem mais rico do mundo. Ele tem 188,5 bilhões de dólares. Isso não o livrará do fedor da morte, embora hoje busque um meio de comprar a fórmula da vida eterna. Cabe a cada um pensar sobre as práticas e hábitos vigentes na contemporaneidade e se perguntar se vale a pena serem cultivados ou se devem ser revistos no sentido de repensar novos modos de existir, menos vinculados aos ditames da ordem capitalista que transformou tudo e todos em meros objetos de consumo e, pior, descartáveis como a pandemia do novo coronavírus demonstra todos os dias. Economia primeiro. Saúde depois? Escute, o sinal tocou. Agora é a vez dos professores irem para o abate.


O quadro-negro da história

Capsula de bala de borracha utiliza pela tropa de choque contra os servidores públicos durante a ocupação da ALEP.
A disputa entre os servidores públicos e o governo do Paraná é também uma disputa ferrenha pelos significados da mobilização, o que passa pela forma como os fatos são enquadrados por discursos, comentários, textos jornalísticos e imagens.

Dizendo que precisava “SANEAR AS FINANÇAS” do estado, o governador Beto Richa (PSDB) produziu, na interpretação dos servidores, um “PACOTES DE MALDADES”: o “PACOTAÇO”.

O “PACOTAÇO” do governador inclui medidas contra direitos históricos dos/das servidores/servidoras.

Reagindo ao “PACOTAÇO” os servidores declararam “GREVE GERAL!”

Logo as redes disparavam os signos da greve: ‪#‎eutonaluta‬, ‪#‎eutonagreve‬, ‪#‎vempragreve‬, ‪#‎vempraAlep‬, ‪#‎vemprarua‬, ‪#‎forabetoricha‬, ‪#‎RichaCaloteiro‬.

Nas ruas estes signos da “LUTA” podiam ser reconhecidos nos adesivos, nas camisetas, nas palavras de ordem.

Redes e ruas compunham uma outra rede e abriam ruas no território fechado da política institucionalizada. A mobilização crescia. Ainda assim, na Assembleia Legislativa, o “PACOTAÇO” transformou-se em “TRATORAÇO” (“Comissão Geral”) a ser passado pelos deputados estaduais da base de Richa sobre os direitos de milhares de trabalhadores.

No dia 10 de fevereiro, os servidores (professores/as em sua maioria), com apoio de ativistas de movimentos, militantes de partidos políticos e cidadãos comuns, “OCUPARAM” a Assembleia Legislativa do Paraná, adiando o “TRATORAÇO”.

Na internet, palavras e expressões como “DESGOVERNO” e “BETO QUER RIXA CONTRA OS TRABALHADORES” acompanhavam os comentários de servidores e apoiadores sobre a “OCUPAÇÃO”.

A mídia hegemônica e a assessoria da ALEP disseram que a “OCUPAÇÃO” foi uma “INVASÃO”.

12 de fevereiro, 34 quatro graus, os deputados chegam de camburão na Assembleia para votar o “PACOTAÇO”. A tropa de choque não economiza spray de pimenta para afastar quem questiona o aparato repressivo.

Policiais cortam uma grade para que os políticos entrem na “CASA DO POVO”. Uma nova “OCUPAÇÃO” acontece apesar das bombas de efeito moral, do gás lacrimogêneo e dos cães raivosos.

Para os manifestantes um “DIA HISTÓRICO” em que conseguiram impedir – ao menos temporariamente – a votação do “PACOTAÇO”. Para Richa, entrevistado por três canais de televisão, uma ação de “baderneiros” e “infiltrados”.

Alguns segundos depois das declarações do governador, nas mídias sociais eram postadas construções como “JE SUIS BADERNEIRO” (um reenquadramento do “Je Suis Charlie” francês), “Baderneiros, não! Somos guerreiros e guerreiras. Não nos escondemos em camburões, mandamos projetos na surdina ou tentamos destruir carreiras. Lutamos pelos direitos que o seu governo não respeita!”.

Sexta-feira 13. Quase Carnaval no Brasil. A greve continua. Quais enquadramentos serão escritos e quais prevalecerão no quadro-negro destes dias históricos no Paraná?