::: O mundo inteiro sob o domínio de 1% :::

Num passado recente, era comum dizermos que 20% da população detinha 80% das riquezas e que os 20% das riquezas restantes ficavam com o restante da população.

A situação hoje, na verdade, é mais dramática, como demonstrou o economista Ladislau Dowbor em seu “A Era do Capital Improdutivo”. Ele cita um estudo do grupo financeiro suíço Crédit Suisse, instituição insuspeita de antipatia para com os ricos, que mostra que o 0,7% mais rico do planeta, o que corresponde a 33 milhões de pessoas, detém 45,6% da riqueza total do mundo avaliada em 256 trilhões de dólares. Ou seja, esse seleto grupo humano, composto por gente como Elon Musk, dispõe de 116,6 trilhões de dólares e já planeja deixar o Planeta Terra e colonizar outros planetas.

Um pouco mais abaixo do topo, 365 milhões de pessoas (7,5%) possuem entre 100 mil dólares e 1 milhão, na sequência 897 milhões de pessoas (18,5%) têm entre 10 e 100 mil dólares, e a grande maioria 3,546 bilhões (73,2%) possuem de Zero (miseráveis) a 10 mil dólares. Se antes falávamos que 20% da população detinha toda a riqueza planetária, hoje, podemos constatar que 1% tem mais riqueza do que os 99% restantes do planeta. Este 1% no topo da pirâmide são os chamados “ultra-ricos” (“ultra high net worth individuals”).

Dowbor assinala que entre os “ultra-ricos” nem sempre estão os produtores, mas, em grande parte, gente que lida com papéis financeiros, fluxos de informação ou intermediação de commodities, ou seja, são pessoas que nunca puseram a mão na massa e vivem da especulação ou, como chama Dowbor, do “capital improdutivo”. Citando a Oxfam, salienta que “embora lideranças mundiais tenham se comprometido a alcançar o objetivo global de reduzir a desigualdade, o fosso entre os ricos e o restante da sociedade aumentou. Essa situação não pode ser mantida”. Ele lembra ainda que em 2016, em discurso à Assembleia Geral da ONU, Obama declarou que “um mundo no qual 1% da humanidade controla uma riqueza equivalente a dos demais 99% nunca será estável”.

Ao contrário do que afirmam os neomalthusianos, o Planeta não está sendo destruído pelo excesso populacional, mas sim, como demonstra Dowbor, “para o proveito de quando muito 1/3 da população mundial, e de forma muito particular para o proveito do 1%. Estes são os dados básicos que orientam as nossas ações futuras: inverter a marcha da destruição do planeta e inverter o processo cumulativo de geração da desigualdade”.






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