Vida & economia

A constituição em caráter de urgência de um comitê de cientistas brasileiros para definir os passos a serem seguidos pelo país na pandemia do novo coronavírus é fundamental. O cenário é catastrófico e a postura do governo federal contribuiu e continua a contribuir para que o Brasil seja ao lado dos EUA o país com mais vítimas da Covid-19.

Estes cientistas, lotados em instituições brasileiras, seriam responsáveis por apresentar às instituições e à sociedade civil as diretrizes do que deve ser feito no país como um todo no que diz respeito à pandemia.

O governo federal usa a pandemia para dividir a população a fim de manter uma base fiel visando unicamente as eleições de 2022. Pandemia é antes de mais nada uma questão de saúde pública e neste campo temos instituições públicas de ponta e cientistas capacitados que podem traçar os passos para fora do abismo em que o país e seu povo foi lançado por declarações e atitudes anticientíficas e extremamente perigosas, com consequências terríveis como as que estamos observando em todos os âmbitos da vida.

Segundo o Observatório Covid-19 BR, “a falta de uma coordenação centralizada pelo governo federal tem dificultado todas as medidas eficazes no combate à epidemia no País, que até o momento conta com poucas estratégias de testagem e rastreio de contactantes, atrasos na vacinação e demora para retomada de auxílio emergencial às pessoas mais carentes, para que elas possam sobreviver a este período de restrições econômicas e de mobilidade”.

Se o Brasil continuar a se dobrar ao negacionismo, à desinformação, às fake news e ao discurso do “novo normal” milhões morrerão em poucos meses e a economia, que tantos hoje defendem como primordial, também será destroçada, pois a escolha entre vida e economia é artificial, falsa, e está sendo taticamente produzida com finalidade eleitoreira.

Ainda para o Observatório Covid-19 BR: “sem nenhuma estratégia de contenção da epidemia, o Brasil tornou-se terreno fértil para a emergência de novas variantes de Sars-Cov-2 e sua propagação, ameaçando não apenas o País, mas todo o mundo. A intensa circulação do vírus no Brasil possibilita o surgimento de novas mutações de preocupação”.

Quem defende salvar vidas evidentemente não defende a retirada do pão da mesa da classe trabalhadora, muito pelo contrário. Os defensores da vida são justamente os defensores dos trabalhadores expostos, pela necropolítica do governo federal, ao vírus e à morte. Para sair dessa situação, de crise sanitária e econômica, é necessário sim retirar a gestão da pandemia das mãos do facínora que desgoverna o país e, simultaneamente, construir uma coordenação em âmbito nacional com pessoas com conhecimento técnico, médico, epidemiológico, econômico, antropológico, logístico, etc., capazes de abordar o problema de uma perspectiva multidisciplinar, ética e sem, evidentemente, jamais se render a interesses escusos internacionais que podem, perigosamente, se camuflar para a realização de operações de intervenção militar.



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