Pode a técnica dispensar o pensamento?

Bolsonaro e o ministro da educação desprezam as ciências humanas e sociais a partir de uma perspectiva fundada no senso comum à respeito da técnica. Tivessem minimamente um entendimento histórico acerca das reflexões filosóficas e sociológicas sobre a técnica estariam calados ou pensando nas formas contemporâneas em que o pensamento se articula com inúmeros dispositivos … técnicos. O problema hoje não se coloca a partir da aniquilação de alguns campos do saber em favor de outros, mas da afirmação simultânea destas criações e da articulação delas em novas instituições que saltam o abismo de certas visões tacanhas que, ao pressuporem a existência de uma incompatibilidade total entre pensamento e a técnica, acabam por criar um conflito, quando não um confronto, entre as múltiplas formas de vida que habitam a terra, humanas, transumanas, pós-humanas, mais que humanas, não humanas, etc. Podemos – e temos – grandes universidades que pensam – sem separar – o que está separado nos cérebros (caso ainda possuam) de bolsonaro e weintraub. O problema, portanto, não é a Filosofia, que relaciona humanidades e técnica (de inúmeras maneiras, inclusive para criticar filosoficamente essa relação), mas o fascismo, ou o que for isso que ameaça nossa experiência no mundo, que separa, que abomina o que difere minimamente de um sistema de crenças extremamente violento, que se esforça para não pensar e dar demonstrações, seguidas, de que de fato não pensa. O fascismo contemporâneo, vemos isso diariamente exemplificado numa destas contas do twitter, faz uso dos dispositivos técnicos sem pensar para condenar o pensamento, inclusive, o pensamento da técnica. A técnica do fascismo neste século XXI é o fascismo da técnica. O pensamento – separado da técnica – deve ser condenado e a técnica sem pensamento usada, explorada, escravizada, para perseguir o pensamento que resistir. Neste tempo de caça à filosofia pela apropriação autoritária da técnica que dispensa o pensamento, o ódio à filosofia se apresenta como filosofia, mas uma filosofia vazia de conteúdo ou, de outra perspectiva, cheia de ódio. E a filosofia que não se dobra àquela filosofia como técnica de resistência, dispositivo de radicalização e invenção democrática, máquina de guerra antifascista. O ódio à filosofia que se diz filosofia é a expressão ressentida de uma vontade suicidária de destruição. O amor à filosofia do amanhã é criação. Olavo de carvalho, o presidente e o ministro da educação, definitivamente, não são criadores, a não ser se passarmos a chamar de criação a morte do pensamento.

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