Bozo & os tentáculos do QAnon


O genocida na presidência não é louco. O genocida na presidência é um genocida de alta periculosidade.

Quando, como agora, espalha descaradamente que a vacina contra a Covid-19 causa AIDS ele sabe muito bem os efeitos malignos que esse tipo de fake pode produzir no inconsciente coletivo.

Segundo Alejandro M. Gallo, autor da obra “Crítica de la Razón Paranoide”, “nenhuma construção conspiratória é inócua, pelo contrário: assim que se torna ideologia de Estado ou de grupos terroristas ou de fanáticos, sejam eles religiosos e/ou nacionalistas, conduzem a massacres, matanças, suicídios coletivos e até genocídio”.

Bolsonaro, o tirano assassino, que receitou remédio de verme e sarna para uma doença viral, que já matou mais de 600 mil brasileiros, introduz ideias do “QAnon” no Brasil.

O “Q Anon” é uma teoria conspiratória vinculada pela extrema-direita. No Brasil, ao que parece, foi introduzida através da disseminação de absurdos como terra plana, volta do voto impresso, remédio para verme e sarna para doença viral, e agora destroça todos os limites da razão com a vinculação da vacina contra a Covid com a AIDS. Ao agirem desta maneira perversa , seus entusiastas testam o quanto as pessoas podem acreditar em histórias sem pé nem cabeça quando veiculadas por aqueles que elas ilusoriamente acreditam serem “cidadãos de bem”. O próximo passo da franquia brasileira do QAnon é, nos moldes do que ocorreu durante as eleições norte-americanas, inventar que políticos são pedófilos, satanistas assassinos e por aí vai.

Parece delirante, mas o “QAnon” ganha cada vez mais adeptos no mundo. Embora suas ideias conspiratórias às vezes nos façam rir, talvez fosse prudente nos preocuparmos: o FBI qualificou o “QAnon” como uma ameaça de terrorismo doméstico. Algumas das pessoas que invadiram o Congresso norte-americano eram adeptas de crenças absurdas veiculados pelo “Q”.

Segundo Sergio C. Fanjul do jornal espanhol El Pais, especialistas já consideram o QAnon como “um movimento religioso emergente”. Não por acaso figuras como Trump e Bolsonaro aparecem como messias salvadores. “Assim como nas seitas, os membros chegam a sofrer certa desconexão com a realidade”, diz Fanjul.

Conhecendo o Brasil as coisas, que já não estão nada boas, podem piorar ainda mais. Ivermectina, cloroquina, terra plana, voto impresso, vacina que faz virar jacaré, vacina que causa AIDS. Até onde as entidades malignas que desgovernam o Brasil irão com suas mentiras absurdas que na pandemia mostraram ser também mortíferas?


Fakes purulentas

Em 2019, o gabinete do ódio bolsonazista fez circular no “zap das famílias” e dos “cidadãos de bem” uma série de fake news sobre as operações do BNDES em outros países.

Os disseminadores destas informações falsas transformavam, malignamente, financiamentos de obras feitos legalmente em envio ilegal de bilhões de dólares para o exterior .

Dois anos depois as mesmas (exatamente as mesmas!) fake news voltaram a circular nas redes bolsonazistas. (Já sobre os milhões de dólares do ministro da economia mantidos em paraíso fiscal nenhum comentário…).

Diante de tanta mentira, distorção descarada dos fatos, falsificação de informações e negacionismos de toda espécie fica cada vez mais difícil acreditar que as coisas melhorarão em breve se nada de enérgico for feito contra as células mais purulentas que sustentam a política da morte e do extermínio de corpos e instituições democráticas.

O cinismo, a indisposição para pensar por conta própria, a covardia, a sabotagem, o ódio disfarçado com o manto da religião e a falta de caráter do bolsonarismo parecem ter raízes históricas profundas, oriundas, talvez, do integralismo e do seu flerte direto com o fascismo. Neste sentido, o bolsonarismo é uma das figuras que compõem uma política do horror e da morte que se arrasta pelo país há quase um século e precisa – o quanto antes – acabar, antes que tudo o mais se acabe.


:: A morte tornada política pública ::

Na última eleição presidencial, parte da sociedade brasileira pediu mais armas e menos emprego, menos saúde, menos educação.

O governo atendeu os pedidos dos que fizeram arminha e o número de armas de fogo nas mãos de civis no Brasil disparou nos últimos 3 anos. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) o país chegou a um arsenal de, pelo menos, uma arma a cada 100 brasileiros. Só em 2020, último ano analisado pela pesquisa, foram registradas 186.071 novas armas, um aumento de 97,1% em relação ao ano anterior. No total já são 2.077.126 armas nas mãos da sociedade civil.

Enquanto a venda de armas é um sucesso, as áreas da saúde, da educação, da economia e do trabalho experimentam um verdadeiro retrocesso. O Brasil, que demorou para comprar vacinas e iniciar o Plano Nacional de Imunização, é o segundo país com mais mortes na pandemia, o preço dos alimentos e dos combustíveis não para de aumentar, o desemprego atinge 14,4 milhões de brasileiros, famílias inteiras fazem fila para obterem restos.

Mas nada disso parece incomodar o pior presidente da história. Na última semana, o genocida, em visita ao estado de Minas Gerais, ao lado do neoliberal Zema, pegou uma criança no colo e a forçou a simular tiros com uma metralhadora.


Culto à morte

O Brasil foi – e continua sendo – palco de uma política de extermínio em que participaram – e ainda participam – políticos, médicos, clínicas privadas, farmacêuticas, laboratórios, farmácias e os chamados cidadãos de bem (muitos inclusive perderam a vida (ou perderam entes queridos) para fazer passar a boiada e a política da morte bolsonarista).

Utilização de cobaias humanas em experiências com coquetéis de medicamentos ineficazes, falsificação de diagnósticos, emissão de atestados de óbitos fajutos e ocultação de mortes, negacionismo, culto cínico à morte.

Práticas análogas às dos nazistas no holocausto foram adotadas em diversas cidades do Brasil durante a pandemia em que já morreram quase 600 mil pessoas (número que suspeitávamos ser bem maior e que as denúncias, que vieram à tona nos últimas dias na CPI, confirmaram, apontando inclusive a necessidade de uma investigação equivalente em todo o território nacional afinal, sabemos bem, de horrores cometidos nas mais singelas e bucólicas cidadezinhas do interior).

Certamente milhares de pessoas que morreram de Covid-19, encorajadas pelo pior presidente da história a enfrentar um vírus mortal com um medicamento para verme, poderiam estar vivas, pois estamos vendo na prática, e diariamente, que só a vacina salva vidas; vacina que, aliás, o representante da morte se recusa até agora a tomar.


A peste no poder

“Prévia da inflação é a maior para setembro desde o início do Plano Real”, diz a manchete do jornal.

“Já estamos na era FHC”, pensa. “Em breve acordaremos na era Collor (quem matou PC Farias?) e na manhã seguinte no governo Sarney”. Tancredo Neves então morrerá e (re-)entraremos na noite negra da ditadura e da tortura.

Milhões apontarão suas armas imaginárias para o inimigo do dia. Um genocida governará o país. Ele elogiará torturadores e massas de zumbis o aplaudirão efusivamente.

Descobriremos que mais de meio milhão de pessoas morreram em uma pandemia causada por um corona vírus e que o governo brasileiro receitou vermífugo para a população enquanto atrasou, propositalmente, a compra de vacinas, dando tempo para a proliferação de variantes.

A violência dos fatos não foi suficiente para despertar os que desejaram profundamente serem hipnotizados pelo discurso da política de extermínio.

A atração para o abismo dos projetos não realizados pelos torturadores da ditadura cívico-militar brasileira pelos continua a tragar, sem cessar, a todos. Já não há tempo para o luto neste tempo retorcido em que a morte foi banalizada.

Pessoas fazem filam para comprar osso. A Floresta Amazônica é consumida pelo fogo. 16 milhões de desempregados.

Para onde estamos sendo levados?


Sacrifício

O sistema sacrificial ainda é determinante na cultura ocidental. No Brasil, desgovernado por um figura macabra que cultua a ditadura, a tortura e a morte, podemos observar uma dimensão da lógica do sacrifício através da defesa que uma parcela da população ainda faz do pior presidente da história do país, mesmo depois dele receitar aos brasileiros um vermífugo no lugar da vacina (esta que ele próprio se orgulha em não ter tomado), mesmo com o sacrifício de quase 600 mil vidas. Qual é o sentido de se prestar a sacrificar a vida em nome de um outro que cultua armas e ódio, por um outro que prega abertamente violência contra as minorias e se alimenta da mentira disseminada nas redes por perfis fake?


O ataque das buzinas assassinas

Em Curitiba, a manifestação em prol do genocida foi um show de horrores. Foram horas e horas de buzinas e de gritos antidemocráticos desarticulados que fizeram do 7 de setembro um delírio coletivo e uma sessão de tortura a céu aberto. A cabeça lateja até agora.

Nenhum pedido de geração de empregos, nenhuma crítica aos preços altos dos alimentos e dos combustíveis. Fome? Miséria? 584 mil mortos na pandemia? Desemprego? Que nada, o importante para as falanges bolsonaristas é que a “nossa bandeira” jamais seja vermelha.

Acuado por este grande e retumbante conformismo orgulhoso da massa de verde e amarelo, um vizinho tentou resistir e gritou “está tudo caro, a culpa é do bolsonaro” e por muito pouco um agrupamento de “cidadãos de bem”, tomando as dores do falso mito, não invadiu seu prédio. “Vai pra Cuba”, berravam este e outros disparates enquanto ameaçavam invadir a propriedade do rapaz.

Observei centenas de apoiadores de bolsonaro sem máscara e aglomerados. Não sabem que pessoas ainda continuam morrendo nas uti’s e a variante delta está se espalhando ou sabem, mas preferem se arriscar com uma só dose? Talvez seja outra coisa e, convencidos por uma persuasivo discurso vazio de liberdade, operado para ocultar o golpe em andamento que pretende suprimir todas as liberdades constitucionais, apresentem-se dispostos ao sacrifício de si e dos outros como se tratasse de uma excitante libertação de todos.

Entre carros, motos barulhentas e buzinas ensandecidas, grupos de amigos, casais, famílias, iam e vinham, sem parar, do Centro ao Centro Cívico em busca do acontecimento que, claro, não ocorreria, afinal o presidoente só queria mais “uma foto” que lhe servisse para mostrar, pelo confronto com o real, uma força política que ele próprio, conforme mostram as pesquisas, já não possui de fato e a que possui mostra-se como força impolítica da impotência e do ressentimento, perigosa é verdade, executada metodicamente através de ataques à Democracia, mobilização constante (motociatas, questionamento do sistema eleitoral, etc) e com scanias berrando.

Entretanto, algo precisa ficar claro, bolsonaro pode até estar realmente com a popularidade em queda, porém a força do ódio que inocula em uma parcela significativa da população, a qual retorna na forma de apoio e, como apontou Reich, de um combate pela servidão “como se se tratasse da sua salvação”, pode não seguir a mesma trajetória descendente e dar-lhe, pela negatividade, ainda mais alguma sobrevida.

O ódio, cada vez mais explícito, expresso, por hora verbalmente, contra um inimigo fantasmático, que só existe na cabeça dos bolsonaristas e que por isso mesmo pode ser aplicado a qualquer um que, eventualmente, seja percebido como a figuração deste inimigo, precisa também ser enfrentado e dissipado. Anteontem foi o sistema eleitoral, ontem o STF e amanhã?


“Filhos das trevas & da inquisição”

A peste, a cruz, o crime e a culpa todos orgulhosos nas ruas. Síntese maldita de um ódio colonial de 500 anos a tudo o que não é espelho.

Narcisistas trouxeram apenas espelhos, e só abriam mão destes para ludibriarem os índios e tomarem-lhes o ouro (para fazerem mais espelhos com borda dourada?).

A alma brasileira, ao que parece, jamais se libertou do que de pior herdou de Portugal. Assim como os portugueses, diagnosticou Oswald, “somos feudais, somos fascistas, somos justiçadores”. O Brasil, desde a idade trevosa das capitanias, vive em estado de sítio.

Glauber, que sentiu entranhada em cada poro a violência do espírito (obsessor) absoluto do colonizador, colocou na boca do personagem principal de “Terra em Transe” um sentimento que hoje o bolsonarismo, com seu ódio a priori a todos que diferem de seu sistema autoritário de valores, revive diariamente nas redes e nas ruas. “Somos infinita, eternamente filhos das trevas, da inquisição e da conversão! (…) Não é possível acreditar que tudo isso seja verdade! Até quando suportaremos?”.


:: Dependência & morte ::

Ataques à democracia, destruição dos direitos trabalhistas e previdenciários, fim da política de valorização do salário mínimo, negacionismo da pandemia, atraso na compra de vacinas, correntes de fake news, motociatas realizadas com dinheiro público, culto às armas, ataques à cultura e às universidades, desemprego, alta no preço dos alimentos mais básicos, a volta da fome. Eis o saldo negativo do (des-)governo bolsonaro.

E mesmo com tudo isso, muitos continuam a acreditar no falso mito e nos seus discursos vazios. Além disso, muitos cidadãos e políticos, que poderiam alertar a população para a destruição em curso, se silenciam nesta hora grave em que o país corre sério risco de sofrer, a qualquer momento, um golpe autoritário e mergulhar numa terrível e sanguinária guerra civil.

Não há dúvida. O bolsonarismo se torna, cada vez mais, algo muito próximo do nazismo. Segundo Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, os nazistas e seus seguidores se excitavam “com a ideia da ruína inevitável, sem sequer diferenciar claramente entre a destruição de seus inimigos e a de si mesmos”.

As manifestações contra a democracia em pleno Dia da Independência são o sintoma mais evidente do flerte inequívoco do bolsonarismo com a pulsão de morte do nazismo. Mesmo sabendo do abismo sem fundo em que o Brasil cai a cada dia, mesmo sentindo na pele e no bolso a crise, uma parcela da população, seguindo cegamente ordens que não sabe de onde vêm, irá às ruas lutar pela ruína do pouco que resta da Democracia como se isso fosse a salvação da nação.


Tudo mudou. Não mudou

Não é mais segredo para ninguém que o governo federal atrasou a aquisição de vacinas e, consequentemente, o Plano Nacional de Imunização, e assim contribuiu para o Brasil ser o segundo país no globo com mais mortes por Covid-19 (580 mil óbitos até hoje) perdendo apenas para os EUA com 639 mil mortes, país em que também imperou por meses a fio o negacionismo da gravidade da situação.

Agora, com o aumento da cobertura vacinal e, consequentemente, com a queda diária de casos e de mortes ficou provado que estava certo quem lá atrás clamava por “vacina já” contra a turma da cloroquina e da ivermectina que seguia às cegas a receita do presidoente, responsável direto por milhares de mortes, e que, se houver justiça no mundo, será julgado em tribunal internacional por crime contra a humanidade.

Políticos oportunistas, aliados diretos de bolsonaro, e que adotaram em diversos momentos da pandemia atitudes negacionistas, além de atacarem ou desacreditarem pessoas que lutavam por vacina e reivindicavam medidas de prevenção, não fizeram autocrítica de seus erros e, neste momento, vaidosos e hipócritas, tentam pegar carona na vacinação, como se fossem os responsáveis pelo sucesso de uma política que não é deste nem daquele partido, mas política pública de Estado operacionalizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por seus profissionais.

Esquecem, ou melhor, tentam nos fazer esquecer que nos momentos mais perigosos da pandemia contribuíram para o aumento de casos e de mortes. “É o novo normal”, diziam como se as pessoas devessem se acostumar à doença e à morte. “Economia primeiro, saúde depois”, bradavam como se a população tivesse que obrigatoriamente se arriscar e se ajoelhar aos ditames diabólicos do capitalismo. Porém, a maioria dos brasileiros e brasileiras que viram com os olhos bem abertos, ou mesmo sentiram na pele, todo o horror que um tirano e seus capatazes investidos de um abstrato poder são capazes, não esquecerão jamais que muitos que agora tentam ganhar pontos com a imagem da vacina defendiam, direta ou indiretamente, alinhados com o genocida, um coquetel que combinava afrouxamento de medidas básicas de prevenção e doses de cloroquina e ivermectina porque, afirmavam orgulhos pisando sobre pilhas de dinheiro e de cadáveres, a “economia não pode parar”, mas a economia estava parada desde antes da pandemia explodir no Brasil.

E agora que seus negacionismos, seus discursos de normalidade, seus medicamentos para piolho e verme revelaram-se falsos, onde estão? Estão a iludir a população que a situação está sob controle. Erraram e erram novamente. Mesmo sabendo que a meta de duas doses ainda não está cumprida, mesmo sabendo que a variante delta, mais contagiosa e mortal para quem não tomou as duas doses, está em circulação, estes políticos e seus apoiadores, de olho em índices de popularidade, na próxima eleição e em cargos públicos que podem obter e distribuir, arriscam novamente a vida da população e arriscam a por em vão todo heroico trabalho que os profissionais de saúde vêm realizando, afinal, com o vírus em circulação somado às aglomerações, o risco de surgimento de uma variante ainda pior que a delta é real.

Se alguém merece ser elogiado nesta história toda são os profissionais de saúde que fazem, desde o início, o máximo, neste país cujo governo fez o mínimo e na maior parte do tempo nem isso. Esses profissionais, que viram o risco de contágio e a morte de perto, sabem bem que alguns desses elogios não passam de encenação interesseira de gente que durante toda a pandemia fez vista grossa, quando não apoiou ações e discursos negacionistas, e mesmo agora continuam a acobertá-los.

A pandemia deixará uma lição: certas figuras, em nome do poder político e econômico, revelaram-se mais perigosas do que o vírus que não é um ser vivo e só age e mata porque os seres vivos o fazem circular.

Além de ocultarem da população o genocídio (ainda em curso), para defenderem seus falsos mitos os pintam como salvadores da pátria. Será que do alto de seus salários pagos com o suor da classe trabalhadora pensam que o povo é idiota? Inventam mil tolices sobre Cuba, sobre voto impresso, tentam faturar capital eleitoral em cima da vacina e dos profissionais de saúde, mas nada falam dos 580 mil brasileiros mortos por um doença violentíssima que o diabo chamou de “gripezinha”. Também em seus discursos, os santos do pau oco, que veneram políticos como Bolsonaro, Zema e Ratinho Junior, nada falam do aumento do preço dos alimentos, do botijão de gás a R$ 130, da gasolina a R$ 7, nem muito menos se lamentam do fato de mais de 14 milhões de brasileiros estarem sem emprego.

Recentemente, um político, do tipo que não pode ver uma luz e já acha que é flash, disse que notícia boa é para ser compartilhada. Sem dúvida, mas em uma pandemia as notícias têm que ser integralmente verdadeiras para serem compartilhadas, pois apenas assim teremos boas notícias de fato e não voos de galinha. Notícia pela metade, num cenário pandêmico ainda não solucionado, é só publicidade, mas publicidade da pior qualidade, publicidade nazista que pode custar vidas como, de fato, custou e ainda custa. Mas o que são vidas para uma certa classe de políticos, aliados de primeira ordem do governo da morte e da necropolítica.

No presente, um novo tipo de escravidão parece estar surgindo, uma escravidão em que os escravos – de todas as classes, cores e credos – veneram seus próprios algozes. As novas gerações têm um longo e duro trabalho político pela frente. As que chegaram ao poder, com raríssimas exceções, apenas dão uma aparência de serem novas, republicanas e democráticas, mas são apenas variações formais para velhos conteúdos autoritários, racistas, violentos e profundamente antidemocráticos. Se não fossem não continuariam a apoiar ou a passar pano para um genocida que no lugar do feijão no prato do povo brasileiro prefere fuzis para matar índios, pobres e negros. Tudo mudou. Nada mudou.